A Dama de Ferro, Ellis Island e a Família Finalmente Completa!
"A travessia de ferry por New Jersey, as memórias dos imigrantes e o abraço tão esperado ao Filho Mais Velho vindo de Lisboa."
Manhã em New Jersey e Rumo ao Liberty State Park
Depois da primeira noite em solo de New Jersey e de mais um farto pequeno-almoço americano para abastecer os motores, entrámos na nossa carrinha de sete lugares prontos para um dos dias mais icónicos de toda a viagem. O destino era o Liberty State Park, na margem de Jersey City, o ponto de partida ideal e sem o rebuliço caótico de Manhattan para apanhar o ferry até às ilhas mais famosas dos Estados Unidos.
A brisa gélida do rio Hudson cortava a pele, mas a perspetiva de nos colocarmos frente a frente com o maior símbolo da liberdade mundial aquecia qualquer viajante. Ajustámos os gorros, preparámos as máquinas fotográficas e embarcámos!
Liberty Island: Cara a Cara com a Senhora da Liberdade
Aproximarmo-nos de barco e ver a imensa silhueta de cobre esverdeado a erguer-se no céu é um momento de pura magia. A Estátua da Liberdade (cujo nome oficial é A Liberdade Iluminando o Mundo) foi um presente de França ao povo americano no centenário da sua independência. Projetada pelo escultor Frédéric-Auguste Bartholdi com a genial estrutura metálica interior concebida por Gustave Eiffel (o mesmo da torre parisiense), foi inaugurada em 1886.
Com os seus 93 metros de altura (desde a base do pedestal até à ponta da tocha), a figura representa a deusa romana Libertas. Aos seus pés repousam correntes quebradas, simbolizando o fim da opressão e da escravatura, enquanto na mão esquerda segura a tábua da lei com a data de 4 de julho de 1776 em numeração romana. Estar na base daquele monumento gigante dá-nos a exata dimensão da esperança que milhões de pessoas sentiram ao chegar a este porto.
A Sombra e a Memória do 11 de Setembro
Ao contornarmos a ilha, é impossível não ficar com o olhar preso no perfil de Lower Manhattan, logo ali em frente. A silhueta monumental do One World Trade Center (Freedom Tower) ergue-se solene no mesmo local onde outrora estavam as Torres Gémeas.
Para quem olha a partir da água, a memória do fatídico 11 de Setembro de 2001 torna-se palpável. As Torres Gémeas serviam de baliza visual mesmo atrás da Estátua da Liberdade em milhares de postais do século XX; hoje, a nova torre reluzente funciona como um farol de resiliência e homenagem às vidas perdidas naquele dia, ligando espiritualmente este cais ao memorial do Pentágono que tínhamos visitado dois dias antes.
Ellis Island: A Ilha das Lágrimas e da Esperança
A paragem seguinte do ferry foi a histórica Ellis Island e o seu incontornável Museu da Imigração. Entre 1892 e 1954, mais de 12 milhões de almas passaram pelas portas deste edifício de tijolo e calcário em busca do chamado "Sonho Americano".
Entrar no colossal Great Hall (o Salão de Registo) causa arrepios. Era ali que os imigrantes, cansados de semanas no porão de navios a vapor, aguardavam a triagem médica e legal. Para a maioria, era a "Ilha da Esperança", a porta aberta para uma nova vida; para cerca de 2% dos que eram barrados e deportados por motivos de saúde ou falta de garantias, tornou-se a "Ilha das Lágrimas". Percorrer os corredores repletos de malas de cartão originais, fotografias de época, registos de navios (onde figuram muitos apelidos de famílias açorianas e continentais) é uma lição viva de humildade e humanidade que nos tocou a todos.
"Estar em Ellis Island faz-nos olhar para a nossa própria condição de viajantes com outros olhos: nós cruzamos o mar por lazer e celebração, mas milhões fizeram-no com a vida inteira fechada numa mala de cartão."
O Momento Alto do Dia: A Família Finalmente Completa!
Com a tarde a chegar ao fim e a luz dourada de inverno a refletir nos arranha-céus, apanhámos o barco de regresso a terra firme e conduzimos de volta ao nosso hotel em New Jersey. O coração vinha a bater mais depressa, e com razão!
Enquanto percorríamos ilhas e museus, o nosso Filho Mais Velho tinha apanhado o seu voo da manhã em Lisboa rumo ao Aeroporto JFK, em Nova Iorque. Ao abrirmos a porta do hotel... lá estava ele à nossa espera! Foi um momento indescritível: abraços apertados, sorrisos de orelha a orelha e a certeza de que a grande celebração dos 50 anos da Mãe estava agora com a tripulação toda reunida no mesmo continente.
Para assinalar a chegada do membro que faltava sem formalismos e com muita boa disposição, a escolha para o jantar caiu numa instituição bem crocante: fomos todos ao KFC! Entre baldes de frango frito, batatas, molhos e muitas histórias cruzadas sobre o voo e as visitas do dia, o dia terminou da forma mais perfeita possível. Agora sim: a equipa está a postos para o que aí vem!
Com carinho, na estrada,
A Família Rodas, Patas e Malas 🐾🚐
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